A escola foi patrocinada polo ditador Teodoro Obiang Nquema da Guiné Equatorial desde 1979, quando derrubou o tio, que foi julgado numa jaula suspensa em uma sala de cinema e lá foi fuzilado, em um golpe de Estado.
A Guiné Equatorial é um grande produtor de petróleo e se destaca apenas pelo PIB per capita mais alto da África, embora a esmagadora maioria da população viva com menos de um dólar por dia, na miséria absoluta. É que tudo vai para os bolsos do ditador, que assumiu o controle direto do Tesouro nacional para "evitar políticos corruptos", e é tido hoje como o nono governante mais rico do mundo.
O país chega a ser um pouco isolado da comunidade internacional em razão da violência do seu regime, pelo maior trafico de seres humanos no mundo e recebe escravas sexuais.
Mas, não foi ignorado pelo Brasil. A Guiné Equatorial se aproximou do Brasil no governo de Luiz Inácio, com a amizade do ditador e o ex presidente. O PT (Partido dos Trabalhadores) anistiaram uma dívida de 27 milhões de dólares, que o país mantinha com o Brasil. Divida de valor insignificante perto das negociações entre os dois países, que saltou de 3 milhões de dólares para 700 milhões. Ao fazer a negociação, o país incensa uma ditadura, pois a questão não é econômica, mas política e simbólica.
A amizade é tanta que a ditadura quer instituir o português como mais uma língua oficial, embora não se fale o idioma por lá. Por isso, o país já se candidatou a integrar a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), decisão apoiada pelo Brasil. Os demais membros resistem por causa da fama sanguínea do país do ditador.
A ditadura negou oficialmente que tenha financiado a Beija-Flor e que a iniciativa do patrocínio partiu de “empresas brasileiras”. Durante as comemorações pelo título na quadra da escola, o carnavalesco Fran-Sérgio, integrante da comissão de carnaval da escola, citou Queiroz Galvão, Odebrecht e grupo ARG como patrocinadores - a Odebrecht nega, e informa não ter negócios na Guiné Equatorial e que fechou seu escritório no país no ano passado.
Por fim, a Polícia Federal afirma que Teodoro Obiang Nguema esteve no Brasil para acompanhar o desfile e que um aparato de segurança foi mobilizado para a sua proteção. O ditador nega e seu filho, o vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodorín Obiang, representa seu pai no dia do desfile (de roupa azul na foto acima).


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