terça-feira, 31 de março de 2015

REUNIÃO EM GENEBRA


                     Na tarde do domingo(8), em Genebra, aconteceu as novas negociações sobre o clima para o preparo do acordo que será assinado em Paris. Sob a vigilância da ONU, as negociações intermediárias tentam alcançar um acordo para substituir o protocolo de Kyoto, para assim deixar bem claro os pontos duvidosos deixados no tratado que entrou  em vigor desde 2005, para a luta contra o aquecimento global.

                    Os países que assinaram este novo tratado, tem como meta a 'descarbonização' dos países mais industrializados e poluídos do mundo, o que gerou muitos conflitos quanto a dividir as cargas de reduções da emissão de carbono, já que países de primeiro mundo como EUA, e Rússia, não tem muitas intenções de frear sua economia, e além disso países como Brasil, Índia e China, que estão em desenvolvimento, esperam que as nações mais bem desenvolvidas mobilizem fundos prometidos para financiar as adaptações necessárias contra o aquecimento global.

                    Será que todos os países firmarão seus compromissos e reduzirão significantemente as taxas de emissão de carbono? Esperamos que não tenha nenhum 'motivo de força maior' como desculpa.

domingo, 29 de março de 2015

MÉDICOS BRASILEIROS REPROVADOS. E os cubanos?


     O índice de reprovação dos 2.843 médico recém formados em São Paulo que prestaram exame no Cremesp (Conselho regional de medicina de São Paulo) de 2013 foi de 59,2%.

     Os índices de alunos formados em faculdades de medicina privadas são ainda mais. Dos 1.942 de faculdades particulares, 71% são reprovados. Nos Estados Unidos, o grau de reprovação em medicina é em torno de 10%. Seria falta de dedicação para uma prova não classificatória, ou péssimo ensino das faculdades de medicina do país?

      Apesar de obrigatório para conseguir a licença médica, infelizmente o exame não é obrigatório pra exercer a profissão. Ou seja, se o médico não acertar o mínio de 60% para passar na prova, ele ainda poderá exercer medicina.

   O exame deveria ser obrigatório tanto para brasileiros, como médicos do programa Mais Médicos.

   Em 2011, dos 140 médicos cubanos inscritos para revalidação do diploma estrangeiro, pela prova do Revalida, 15 passaram. Em 2012 foi de 884, dos quais 77 passaram. E agora sem a revalidação, graças ao programa Mais Médicos, dos 6 mil médicos cubanos inscritos, 6 mil foram autorizados a atuar no País.

     Médicos precisam provar que estão aptos a exercer a profissão. Isso vale para médicos brasileiros, e qualquer estrangeiro que queira praticar a medicina no Brasil. Sejamos legais e justos.

terça-feira, 24 de março de 2015

Parto Normal X Cesariana

     Pesquisa feita no "Nascer Brasil", pela fundação Osvaldo Cruz, mostra que quase 7 em 10 brasileiras desejam o parto normal. Apesar disso, 84% dos partos nos hospitais particulares são cesarianas, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que esse procedimento se aplique em apenas 15% dos partos. Apesar desse número, que chega a ser cinco vezes maior que o recomendado, existe uma enorme diferença entre o setor de saúde público e o privado. No sistema de saúde pública, 44% dos partos são naturais, quase metade de todos os partos realizados.


     Esse número exorbitante não apareceu da noite para o dia. Foram décadas de construção dessas porcentagens, que não param de crescer. Em outros países, as cesarianas estão mais próximas dos números do sistema público de saúde brasileiro, com excessão de países escandinavos e africanos que atentem a recomendação da OMS.

    Em uma tentativa de mudar esse cenário, a OMS e o Ministério da Saúde publicaram uma resolução estabelecendo normas para incentivar o parto normal, mas pode haver dificuldades para a implementação dessas diretrizes, tendo em vista as condições atuais da infraestrutura em saúde do país.


     Muitas vezes, o médico comunica a gestante que realizará o parto normal, porém não é isso o que acontece. Com essas novas medidas, ao informar o número de cesarianas para a gestante que não deseja esse procedimento, a paciente tem um auxilio na escolha de um médico capacitado para o parto normal. Existem médicos com praticamente 100% de desfechos em cesarianas. Fica evidente que esses médicos não trabalham dentro da evidências cientificas que obrigam a mulher a fazer uma cesariana. 

     Outra medida importante é partograma, um relatório que demonstra a evolução do parto. Ele já existe, mas com outro nome: honorário médico. Um dos pontos relatados é se a mulher estava em trabalho de parto durante a cesariano. Isso prova que se bebê estava pronto para nascer e a cirurgia foi optada por problemas durante o parto, e não para substituir o parto.

     O processo do parto normal necessita de espaço, porém, existem poucos leitos para esse parto nos hospitais. Normalmente, existem um ou dois leitos para parto normal, contra dez acomodações de centro cirúrgico para a cesariana.


     A consequência imediata de uma cesariana, é o aumento de maneira significativa do risco de vida da mãe e do bebê.  Para mulheres que optarem por mais de um filho, a cicatriz de cada cesariana aumenta as chances de uma ruptura uterina na próxima gravidez. Para o bebê, aumentam as chances de desenvolver problemas como obesidade e alergias, pois o microbioma da criança é alterado por conta do nascimento de forma não natural.

     Outro problema das cesarianas é o grande número de bebês prematuros. Eles estão nascendo cada dia mais cedo, o que trás consequências para seu desenvolvimento, como internações na UTI, o que prejudica o vinculo mãe e bebê.

     O incentivo ao parto normal deve ser feito, mas as cesarianas não devem ser demonizadas. Caso a mulher não tenha condições de fazer o parto normal por intercorrências aceitas mundialmente, a cesariana deve ser indicada, sendo a melhor opção para a mãe e o recém nascido. Independente da escolha da paciente, a individualidade de cada uma deve ser levada em consideração em primeiro lugar. A autonomia da mulher deve ser respeitada.

domingo, 22 de março de 2015

Dia Mundial da Água

     No Brasil, sempre que se falava da seca, a primeira imagem que vinha à mente era o chão trincado do sertão nordestino, transformada em obra-prima no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, de 1938.

      Será que um dia, grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, em que o volume de água disponível para cada habitante chegou a ser proporcionalmente o mesmo de quem vive no sertão, terão vidas secas como a de Fabiano e a de Baleia?


     O ano de 1953 foi o marco. Dava-se como certo que uma dificuldade semelhante àquela seria contornada. Mas houve o imprevisível, e 2014 viu os reservatórios baixarem a metade do que se observara em 53, apesar da boa norma da engenharia mandar que todo o sistema deve estar preparado para qualquer evento extremo.

     Busca-se, maneiras de frear o desperdício nas tubulações e perdas, como uma redução consciente no consumo, pois 20% da água é usada sem necessidade nas casas. Num período de dez anos, outra medida é substituir os 64 000 quilômetros de canos subterrâneos que abastecem a Grande São Paulo, com o objetivo de reduzir os 34% em vazamentos de canos e desvios clandestinos. 

Zona de Convergência
do Atlântico
     Em São Paulo, as chuvas são causadas por massas de ar úmido que esbarram na ilha de calor que se forma ao redor da cidade. A concentração de poluição e prédios esquentam o ar que sobe, onde ele se condensa em nuvens carregadas de chuva. No Cantareira, em situações normais, as chuvas que caem sobre a represa se originam na Amazônia, é a chamada Zona de Convergência do Atlântico, uma área cheia de nuvens que costuma se estender da Amazônia até o Sudeste. Porém, pelo segundo ano consecutivo, a Zona de Convergência do Atlântico, fora de posição, foi em direção a Bahia, em vez do Sudeste.


      O berço da crise, contudo está na combinação de dois fatores: a falta de gerência (descaso das autoridades) e a imprevisibilidade da natureza (pois faz dois anos que chove abaixo da média, fruto de uma anormalidade climática, que muitos cientistas atribuem ao aquecimento global).

     Apesar de não ter sido possível prevê-los com precisão, o calor e falta de água não são uma total surpresa. Segundo dados da Nasa, a agência espacial americana, nove dos dez anos mais quentes já registrados ocorreram de 2000 para cá, sendo que 2014 foi o recordista. "Sabe-se que o clima será cada vez mais extremo e imprevisível", analisa Helio Mattar, presidente do instituto Akatu, reputada ONG de sustentabilidade. "Governos devem agir com antecipação, e a população tem de se conscientizar."

Impactos de um aumento na temperatura global

     O planeta passa por um aquecimento global intenso, e a maior parte do descompasso do clima é o ser humano. Fábricas, carros e o desmatamento generalizado, multiplicou por 180 a quantidade de CO2 na atmosfera desde a Revolução Industrial. Isso causou um aumento de 0,8 graus na superfície terrestre. A Califórnia, por exemplo, estado mais populoso dos Estados Unidos, registrou secas recordes. Por outro lado, a Inglaterra e a Índia enfrentaram enchentes colossais.

      Climatologistas dizem não ter certeza se a falta de chuvas e as altas temperaturas no início de janeiro no Sudeste brasileiro são também filhos do aquecimento global, pois dependem de projeções de longo prazo para analisar. Ou seja, precisam esperar para verificar se a situação se repete por muitos anos ou se trata de uma anomalia, provocada por algum fenômeno climático pontual e ainda desconhecido.

Justiça paralisa "a menina dos olhos " do Haddad

          Nesta quinta-feira (19), a justiça decidiu que a gestão do Prefeito Fernando Haddad deve paralisar todas as obras de ciclovias, com exceção da ciclovia existente na Avenida Paulista. O motivo seria o pedido da liminar feito pela promotora Camila Mansour Magalhães da Silveira, afirmando que a gestão do Haddad não fez nenhum planejamento necessário para a implantação das vias, e por tal motivo ocasionando caos na infraestrutura da grande São Paulo sem contar com os transtornos a grande parte dos moradores.


         " Não sou contra as ciclovias, mas do jeito que estão sendo construídas em São Paulo, acho um absurdo e abuso de autoridade. Eu pago impostos e tenho minha casa, mas sequer posso parar meu carro na porta porque existe uma ciclovia. Para implantá-la ninguém perguntou o que achava, nem aos meus vizinhos que estão sofrendo a mesma situação", declaração feita por uma das moradoras atingidas pela falta de estudos técnicos e de impacto das implantações dessas ciclovias ao redor da cidade, sem o menor pudor moral ou ao menos preocupação por parte do governo Haddad sobre o grande sofrimento ocasionados a esses moradores, que nem se quer tem para onde recorrer pois o estrago já foi feito.

         O juiz Luiz Fernando Rodrigues Guerra aceitou o pedido da promotora justificando que efeito das ciclovias dentro do trânsito e da vida dos moradores ao redor. Os próprios técnicos do Ministério Público afirmaram que as ciclovias feitas não condizem em nada, tanto em condições quanto a um tipo de ciclovia de segunda mão totalmente diferente e nada condizentes as ciclovias consultadas na CET para realização das mesmas, sendo que não houve por parte da gestão Haddad, nenhuma documentação ou projeto de engenharia ou de viabilidade dessas vias encaminhadas ao Ministério Público.


          As ciclovias são importante para movimentação nas grandes cidades mundiais, onde em sua maioria, a população tende a utilizar mais bicicletas do que propriamente veículos para movimentação dentro das grandes cidades europeias, porém para chegar a isso, foram anos e anos de desenvolvimento de viabilidade e infraestrutura dentro da urbanização dessas grandes cidades, sendo que foi uma mudança acompanhada e aceitada pela população local com o objetivo de trazer melhorias e uma forma de diminuir o uso de veículos que é uma das principais causas da poluição desenfreada nas grandes cidades, não foi algo imposto, sem nenhum planejamento ou se quer projeto de viabilidade como aqui em São Paulo, onde todas as obras de ciclovias foram feitas nas coxas, sem o pingo de decência por parte do governo.

http://confidenciatual.blogspot.com.br/2015/02/planejamento-das-ciclofaixas-em-sao.html

sábado, 21 de março de 2015

ANOS DE PESQUISA ARRASADOS PELO MST

       O agronegócio brasileiro é uma referência para o mundo, devido a capacidade de inovação e pela produtividade alcançados pelos pesquisadores.
     As florestas brasileiras de eucalipto, por exemplo, conseguem produzir mais matéria-prima por hectare do que espécies semelhantes em países desenvolvidos, como o Canadá e Finlândia.


     Esse trabalho sofreu uma agressão irreparável no começo desse mês, quando mais de mil mulheres armadas com foice e facão, ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), invadiram uma fazenda da empresa de pesquisas FuturaGene, em Itapetininga (SP), e destruíram estufas com milhares de eucalipto que estavam em desenvolvimento desde 2006.

     A espécie transgênica (geneticamente modificada), chamada de H421, que poderá aumentar a produção em 20%, seria avaliada por autoridades na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTN-BIO) e especialistas, para eventual liberação do plantio. Com a destruição, a reunião foi cancelada.

    O MST justifica o ato de vandalismo alegando que o plantio do eucalipto transgênico pode causar impactos ambientais e sociais, já que contaminaria a produção de mel, e necessitaria de mais água e agrotóxico.
Mulheres do MST em invasão ao FuturaGene
      O gerente de operações da companhia, Eduardo José de Mello, disse que a empresa já desmentiu as alegações do MST, respondendo todas as questões colocadas pela CTN-BIO, que é o órgão regulador. "O produto é seguro para a sociedade e meio ambiente", afirmou. Ele disse ainda que a empresa calcula os prejuízos. "Foi bem considerável e perdemos alguns anos de desenvolvimento tecnológico."

quarta-feira, 18 de março de 2015

Dia 15 de Março

Mais de 200 milhões de pessoas se reuniram nas ruas contra o governo Dilma. Com mais de 100 milhões de pessoas, só em São Paulo, o protesto é o maior desde as manifestações dos caras pintadas, a favor do impeachment do Collor.


     As reivindicações eram várias, como sempre, Pediram o fim da corrupção, o fim do PT (Partido dos Trabalhadores) e o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os trabalhadores sem partido reunidos eram bem mais que a “elite branca”.
    Nas diferentes cidades em que as manifestações foram realizadas, celebridades, artistas e socialites caminharam com, ex-petistas, vendedores ambulantes, militares ou agentes penitenciários.
     “Vamos parar com esse negócio de que só a elite está aqui. Sou negro e pobre e estou pedindo a saída da Dilma”, disse Fernando Silva, conhecido como Fernando Holiday, 18, que participou da manifestação na av. Paulista, em São Paulo.

Fernando Silva, o Fernando Holiday
     A voz das ruas já está sendo ouvida pela presidente. Ela encaminhou, hoje, para o Congresso um “pacote anticorrupção”, que consiste em um conjunto de propostas elaboradas pelo Executivo para inibir e punir irregularidades na administração pública. O pacote foi prometido nas ondas de manifestações de 2013.
      Os organizadores dos protestos pretendem marcar novas datas de mobilização contra o governo. Esse caldeirão cultural  do dia 15 ainda não acabou. Foi uma marcha sem cassetete, sem bombas de efeito moral, sem balas de borracha. Nada disso foi necessário. Os manifestantes de agora são bem diferentes daqueles que lideraram os protestos em junho de 2013. Pessoas que defendem e respeitam o patrimônio público e, acima de tudo, defendem e respeitam a lei.

Manifestações da sexta feira 13

           As manifestações do dia 13 de março, contra o impeachment da presidente Dilma e em defesa da Petrobras,  teve seu início a tarde em meio aos ânimos dos manifestantes presentes na Avenida Paulista. Tudo indica que 12 mil pessoas comparecem a manifestação, sendo que a estimativa relativa era de apenas 8 mil.


          O protesto convocado à partir dos partidos centrais como CUT (Central Única dos Trabalhadores), MST ( Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), UNE ( União Nacional dos Estudantes) e vários outros movimentos sindicalistas tiveram como motivo principal, era em prol da "defesa" da estatal Petrobras, dos direitos trabalhistas, da democracia e da reforma política. Esse protesto é mais uma resposta contra a manifestação de domingo a favor do impeachment da Dilma. Tal protesto não conseguiu tal "magnitude" quanto havia especulado inicialmente, até com possíveis especulações a cerca de um tal de bolsa protesto, onde sindicalistas haveriam de ter pago um valor que varia entre R$ 35,00 a R$ 50,00, sem contar com o transporte gratuito que haviam recebido antes das manifestações como uma forma de "pagamento" pelo comparecimento na manifestação.

          Além do motivo do protesto, os manifestantes que compareceram protestaram contra o capitalismo e o contra o "Panelaço" contra a dilma, e a possível "união" da imprensa para derrubar a presidente. Muitos aproveitaram e criticaram os Estados Unidos e a capital do país estrangeiro por causa das declarações a favor do impeachment da presidente.

           Por volta das 15h, o protesto iniciou a marcha em direção ao centro, com  discursos em tom mais crítico pediam o fim do financiamento privado das campanhas, a investigação e punição do escândalo de corrupção da Petrobras e o retorno do dinheiro roubado dos cofres públicos. Mas rechaçavam o que diziam ser "tentativas de golpe" e a ideia de privatizar a Petrobras. 
   

sábado, 14 de março de 2015

Binômio: Dilma + Impeachment

      Corrupção na Petrobras, campanha do ódio e da mentira nas urnas, adoção do plano de governo da oposição, e economia estagnada, trazem a tona calorosas discussões sobre um possível impeachment da presidente Dilma. Mas, apenas a insatisfação da população não basta para gerar um processo de impeachment. Para isso, o governante precisa ser criminalmente acusado. Entenda os crimes cometidos pela governanta e porque ela pode ser pega pelo fantasma do impeachment.


        Um governante só pode sofrer processo de impeachment caso viole a constituição brasileira. Ao analizar a lei, o advogado constitucionalista Ives Gandra Martins fez um parecer jurídico recomendando o impeachment de Dilma, com base no artigo 85, inciso 5, da Carta Constitucional. Diz ele:

“A destruição da Petrobras nos anos de gestão da presidente Dilma Rousseff como presidente do Conselho de Administração e como presidente da República, por corrupção ou concussão, durante oito anos, com desfalque de bilhões de reais, por dinheiro ilicitamente desviado e por operações administrativas desastrosas (…) demonstra omissão, ou imperícia ou imprudência ou negligência.
E a insistência, no seu primeiro e segundo mandatos, em manter a mesma diretoria que levou à destruição da Petrobras está a demonstrar que a improbidade por culpa fica caracterizada, continuando de um mandato ao outro.
À luz desse raciocínio, terminei o parecer afirmando haver, independentemente das apurações dos desvios que estão sendo realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público (hipótese de dolo), fundamentação jurídica para o pedido de impeachment (hipótese de culpa)”.

Ives Gandra Martins

    Para uma analise da improbidade administrativa, comentada pelo advogado (em negrito), separamos os artigos 85 e 86 do texto constitucional com destaque (também em negrito) a saber o crime de culpa (que considera figuras de omissão, imperícia, negligencia e imprudência) e o julgamento:

Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
     I – a existência da União;
     II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;
     III – o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
     IV – a segurança interna do País;
     V – a probidade na administração;
     VI – a lei orçamentária;
     VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento.

Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.
     § 1º – O Presidente ficará suspenso de suas funções:
        I – nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;
        II – nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.
     § 2º – Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.
     § 3º – Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente da República não estará sujeito a prisão.
     § 4º – O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.


  O artigo de crime de responsabilidade faz referência a destruição da Petrobras, reduzida a sua expressão de hoje, nos anos de gestão da presidente Dilma Rousseff. Ela atuava como presidente do Conselho de Administração e como presidente da República durante oito anos, quando, por corrupção ou omissão, aconteceram desvios de bilhões de reais de dinheiro ilegal e por operações administrativas desastrosas, que levaram ao balanço da empresa não poder sequer ser apurado.

   Como a própria presidente da República declarou, que se tivesse melhores informações, não teria aprovado a compra da refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos), de quase US$ 2 bilhões, a evidentemente demonstrou, ou omissão ou imperícia ou imprudência ou negligencia, ao avaliar o negócio.

   Além disso, a insistência no seu primeiro e segundo mandatos, em manter a mesma diretoria que levou à destruição da Petrobras, demonstra a improbidade por culpa, que fica caracterizada e continua de um mandato a outro.

    Diante do escândalo de corrupção na Petrobras, queda na confiança do investidor e do consumidor, perda apoio no Congresso, aumento da inflação, aumento do desemprego, déficit orçamentário e crise econômica, diminuíram a popularidade da presidente Dilma, inclusive, se as eleições fossem hoje, ela perderia.

   Embora o impeachment seja pouco provável devido a falta de provas realmente concretas, as manifestações do dia 13 e 15 devem ser ouvidas e respeitadas. Especialmente a do dia 15, a favor do impeachment, pois os manifestantes estão exercendo seu direito de agir contra aquela que, segundo eles, está destruindo o país. A exemplo, o ex-presidente Luiz Inácio também defende esse pensamento:

(Clique na imagem para ampliar)

Por fim, informamos o local e hora das manifestações no Brasil e no mundo. O balanço é do movimento "Vem pra Rua".
Infelizmente pelo atraso da postagem, as manifestações contra o impeachment já passaram, por isso a seguir estarão apenas os encontros pró-impeachment para o dia 15 de março de 2015.
Clique em "ver mais" para saber onde serão as manifestações:

Confidenciatual Explica: IMPEACHMENT


     Para que o pedido de abertura de impeachment tenha consistência, devem existir provas de que o mandatário cometeu algum crime comum (como homicídio ou roubo) ou crime de responsabilidade –que envolve desde improbidade administrativa até atos que coloquem em risco a segurança do país.

      O processo de impeachment só passa pelo meio político, sem interferência do judiciário em nenhum momento. Por isso, as manifestações pró-impeachment não terão resultado no processo contra a presidente. Elas apenas farão pressão, dependendo do número de participantes, para o Congresso votar uma das solicitações de impeachment contra a governanta.

      O presidente da Câmara dos Deputados é o responsável por encaminhar para votação o processo de impeachment. Caso isso aconteça, é preciso de dois terços de aprovação dos 513 deputados da Câmara, para o processo ser encaminhado ao Senado, que também precisa de dois terços de adesão dos 81 senadores. Atualmente, a presidente Dilma conta com 304 deputados e 52 senadores da base aliada. O julgamento deve ser concluído pelo STF no prazo de 180 dias. Até agora, 11 solicitações já foram arquivadas pela Câmara (vale lembrar que qualquer cidadão pode enviar essa solicitação).

    Caso o impeachment aconteça após dois anos no início do mandato do presidente, esse será afastada do cargo e o vice assume, no caso Michel Temer (PMDB) assumiria o cargo. Agora, se acontecer nos dois primeiros anos de mandato do presidente, serão convocadas novas eleições.

       FHC viveu uma situação muito parecida com a atual de Dilma. Entre as eleições de 1998 e o inicio do segundo mandato em 99, o ex-presidente viu sua popularidade cair substancialmente, em boa parte também por problemas na economia. O tucano também viu muitos protestos contra o seu governo, incluindo a chamada “Marcha dos 100 mil”. Com o escândalo do mensalão, essa hipótese foi cogitada para Lula. Mas, como não houve nenhuma acusação contra o petista, a ideia não vingou. Lembremos, com esses exemplos que insatisfação política é diferente de Impeachment.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Drones e sua invasão à privacidade

               Os drones atacaram novamente, após os incidentes e alertas causados pela utilização dos drones em áreas proibidas e a discussão sobre sua regulamentação comercial assim abordada em uma das postagens deste blog - link no final da postagem - houve mais um incidente com o uso de drones que levanta um tema antigo e amplamente discutido, a invasão da privacidade.

               Algumas semanas atrás apareceu um vídeo no Youtube, onde um drone flagrou uma mulher no telhado tomando banho de sol de topless, a mulher ao percebeu o drone sobrevoando o local com uma câmera embutida, armou-se com uma vassoura tentando acertar a nave não-tripulada, assim como mostra no vídeo abaixo.


                Revoltada com o acontecido, a mulher entrou na justiça acusando o dono do drone de invasão da privacidade, e casos como este estão aparecendo cada vez mais ao redor do mundo, sem contar com os diversos casos na justiça onde drones são utilizados para espionagem comercial, invasão de privacidade, perseguição assistida, etc. O advogado Felipe Busnello, da comissão de prioridade intelectual da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB-RS), afirma que todo aquele que filmado ou fotografado por drones tem os mesmo direitos que pessoas flagradas por câmeras sem autorização.

http://confidenciatual.blogspot.com.br/2015/02/susto-no-quintal-da-casa-branca.html
             

quinta-feira, 5 de março de 2015

ANTIVACINAÇÃO, UM SURTO DE IMPRUDÊNCIA


        Até a vacina contra o sarampo começar a ser usada, em 1963, a doença era uma das principais causas de mortalidade infantil. Com o aperfeiçoamento e a popularização das imunizações, ela foi controlada na maioria dos países. Nos Estados Unidos, foi reedificada em 2000. Em dezembro do ano passado, porém, ressurgiu com 94 casos na Disneylândia da Califórnia, e hoje 121 pessoas foram identificadas com o vírus, em dezoito estados americanos.


        A origem do surto está associada ao crescente espaço conquistado por grupos adeptos do movimento antivacina. Dizer “não” é um direito individual. Contudo, quando afeta a saúde pública, torna-se a quebra de um contrato social que salvou milhões de vidas nas últimas décadas. É andar na contramão dos avanços da medicina.

        As alegações são frágeis. A principal é o argumento de alguns pais de que o sistema imunológico consegue naturalmente se livrar dos agentes. Outros alegam que a vacina tríplice (contra caxumba, rubéola e sarampo) aumenta o risco de autismo, tese de Andrew Wakefield (em 1998), que foi acusado de fraudador, antiético e desonesto, perdeu o registro no Conselho Geral de Medicina da Inglaterra.

        Há hoje cerca de 80 000 casos de sarampo no mundo, principalmente na Inglaterra, França e Itália, onde a onda antivacina é forte.

        A oposição aos evidentes benefícios da vacina parece coisa do início do século passado. Remete a Revolta da Vacina de 1904, contra a decisão do sanitarista Oswaldo Cruz de tornar obrigatório o controle da varíola, que previa inclusive a invasão de casas e a remoção das pessoas pelos agentes de saúde. Acuado, o então presidente Rodrigues Alves revogou a lei da vacinação obrigatória. Atualmente, a varíola é a única doença infectocontagiosa declarada erradicada pela Organização Mundial da Saúde.

        A imunização contra sarampo salva meio milhão de crianças a cada ano. E somadas, as cerca de trinta vacinas atualmente em uso, livram da morte cerca de 3 milhões de pessoas no mundo. A vacinação de uma criança não protege apenas a vida dela, mas também a de todos ao seu redor.

        Como todos os medicamentos, as vacinas oferecem reações adversas. A do sarampo, por exemplo, causa em até 3% dos pacientes, o chamado "sarampinho", uma forma atenuada da doença, sem nenhuma ameaça à saúde. Entre os sintomas, estão febre baixa e manchas na pele, sem comparações com o sarampo em si, doença devastadora que aniquila o sistema imunológico e pode levar a morte por pneumonia e encefalite. 

        No Brasil, mais de 90% das crianças estão vacinadas contra o sarampo e a  vacinação é feita com a tríplice viral no primeiro ano de vida, com reforço aos 15. A vacinação não apenas contra o sarampo, é obrigatória no Brasil.