A escalada de mortes envolvendo policiais nos últimos meses escancarou de vez um problema premente na área de segurança no Rio de Janeiro: o despreparo da tropas.
A investigação sobre a morte do comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Complexo do Alemão, durante confronto com bandidos, mostra que após três meses de análise de laudos periciais e de tomadas de depoimentos, o disparo fatal veio do fuzil de um mal preparado colega de farda.
Ao que tudo indica, não houve a intenção de matar o comandante - faltaram ao ator do disparo, isso sim, o treino e a experiência que teriam evitado o trágico desenlace.
Faltaram porque, pressionado pela maciça demanda de efeitos, o Centro de Formação e aperfeiçoamento de Praças do Rio está diplomando recrutas em cursos insuficientes o enfrentamento da bandidagem. O grande motivo para a pressa na formação são as UPPs, que sorvem atualmente 20% de todo o efetivo do estado e só fazem crescer.
A improvisação começa no processo seletivo. Em concurso realizado em 2010, 65 000 candidatos disputavam 3 600 vagas. Os melhores preencheram os postos, mas os demais continuavam sendo convocados, ainda que houvessem patinado na prova - teve PM que entrou para a tropa com nota "1". Tudo para não perder tempo montando um novo concurso.
A formação propriamente dita também ganhou ritmo de linha de montagem. Em 2012, a duração do curso de um ano, como acontece em São Paulo, caiu para seis meses.
A etapa em que os aspirantes a farda se lançam aos desafios da rua após concluir o curso, consumia três meses; agora, para muitos, não passa de poucos dias. "O Rio virou uma fábrica de policiais, e isso claramente comprometeu a qualidade", avalia o coronel José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de Segurança Pública.
O 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no fim do ano passado, põe a polícia do estado no topo do ranking das que mais matam e que mais morrem no país. Estão, inclusive, matando-se uns aos outros.

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