quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Confidenciatual Explica: Transplante de DNA mitocondrial

        Toda a novidade na área da reprodução humana estimula debates morais e éticos acalorados, como ocorre quando se discute a legitimidade das pesquisas com células-tronco embrionárias, toca-se em uma questão central da condição humana, o início da vida.

        O chamado de transplante de DNA mitocondrial, tem o objetivo de impedir a transmissão, para o embrião, de doenças degenerativas citadas anteriormente no blog Confidenciatual. Pela técnica, durante a fertilização in vitro, ocorre a substituição do DNA mitocondrial doente da mãe biológica pelo saudável de uma doadora.

Fonte da imagem: Revista Veja, edição de 11 de fevereiro de 2015

        A transferência de material genético entre as doadoras é feita antes da formação do zigoto. É nisso que está toda a diferença. O que se manipula no transplante de DNA mitocondrial são células ainda não fecundadas, que ainda não formaram o embrião.

        Pesquisadores que admitem ser conservadores em algumas questões científicas admitem defenderem o procedimento. O uso de células-tronco embrionárias humanas é um atentado à vida, mas a manipulação de um óvulo não tem nada disso", diz a biofísica Alice Teixeira Ferreira, especialista em biologia molecular, da Unifesp. "Um óvulo é uma célula, e não um ser humano em desenvolvimento".

        O DNA mitocondrial da doadora não transmite características ao feto, pois representa apenas 0,02% dos genes de um ser humano. Por outro lado, a herança genética que representa 99,98% vem do DNA nuclear, que determinará todo o fenótipo do indivíduo, ou seja as características morfológicas, fisiológicas e comportamentais. "Uma criança concebida a partir de um óvulo que teve seu DNA mitocondrial alterado não terá nenhuma semelhança com a doadora, e sim com a mãe e o pai", diz o geneticista Salmo Raskin, diretor do Laboratório Genetika e integrante do projeto Genoma Humano.

        Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, o transplante de DNA mitocondrial permaneceu sob análise dos órgãos de reprodução assistida do Reino Unido por cinco anos, e depois pelo Parlamento inglês por cerca de um ano. A aprovação na Câmara dos Comuns teve margem de 382 a favor, contra 128. A Câmara de Londres avaliara até o final do mês se o procedimento entrará em vigor. Procedimento esse que dificilmente seria acatado no Brasil, devido a Lei de Biossegurança , de 2005, que proíbe o manejo de célula germinal humana.

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