terça-feira, 24 de março de 2015

Parto Normal X Cesariana

     Pesquisa feita no "Nascer Brasil", pela fundação Osvaldo Cruz, mostra que quase 7 em 10 brasileiras desejam o parto normal. Apesar disso, 84% dos partos nos hospitais particulares são cesarianas, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que esse procedimento se aplique em apenas 15% dos partos. Apesar desse número, que chega a ser cinco vezes maior que o recomendado, existe uma enorme diferença entre o setor de saúde público e o privado. No sistema de saúde pública, 44% dos partos são naturais, quase metade de todos os partos realizados.


     Esse número exorbitante não apareceu da noite para o dia. Foram décadas de construção dessas porcentagens, que não param de crescer. Em outros países, as cesarianas estão mais próximas dos números do sistema público de saúde brasileiro, com excessão de países escandinavos e africanos que atentem a recomendação da OMS.

    Em uma tentativa de mudar esse cenário, a OMS e o Ministério da Saúde publicaram uma resolução estabelecendo normas para incentivar o parto normal, mas pode haver dificuldades para a implementação dessas diretrizes, tendo em vista as condições atuais da infraestrutura em saúde do país.


     Muitas vezes, o médico comunica a gestante que realizará o parto normal, porém não é isso o que acontece. Com essas novas medidas, ao informar o número de cesarianas para a gestante que não deseja esse procedimento, a paciente tem um auxilio na escolha de um médico capacitado para o parto normal. Existem médicos com praticamente 100% de desfechos em cesarianas. Fica evidente que esses médicos não trabalham dentro da evidências cientificas que obrigam a mulher a fazer uma cesariana. 

     Outra medida importante é partograma, um relatório que demonstra a evolução do parto. Ele já existe, mas com outro nome: honorário médico. Um dos pontos relatados é se a mulher estava em trabalho de parto durante a cesariano. Isso prova que se bebê estava pronto para nascer e a cirurgia foi optada por problemas durante o parto, e não para substituir o parto.

     O processo do parto normal necessita de espaço, porém, existem poucos leitos para esse parto nos hospitais. Normalmente, existem um ou dois leitos para parto normal, contra dez acomodações de centro cirúrgico para a cesariana.


     A consequência imediata de uma cesariana, é o aumento de maneira significativa do risco de vida da mãe e do bebê.  Para mulheres que optarem por mais de um filho, a cicatriz de cada cesariana aumenta as chances de uma ruptura uterina na próxima gravidez. Para o bebê, aumentam as chances de desenvolver problemas como obesidade e alergias, pois o microbioma da criança é alterado por conta do nascimento de forma não natural.

     Outro problema das cesarianas é o grande número de bebês prematuros. Eles estão nascendo cada dia mais cedo, o que trás consequências para seu desenvolvimento, como internações na UTI, o que prejudica o vinculo mãe e bebê.

     O incentivo ao parto normal deve ser feito, mas as cesarianas não devem ser demonizadas. Caso a mulher não tenha condições de fazer o parto normal por intercorrências aceitas mundialmente, a cesariana deve ser indicada, sendo a melhor opção para a mãe e o recém nascido. Independente da escolha da paciente, a individualidade de cada uma deve ser levada em consideração em primeiro lugar. A autonomia da mulher deve ser respeitada.

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