domingo, 22 de março de 2015

Dia Mundial da Água

     No Brasil, sempre que se falava da seca, a primeira imagem que vinha à mente era o chão trincado do sertão nordestino, transformada em obra-prima no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, de 1938.

      Será que um dia, grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, em que o volume de água disponível para cada habitante chegou a ser proporcionalmente o mesmo de quem vive no sertão, terão vidas secas como a de Fabiano e a de Baleia?


     O ano de 1953 foi o marco. Dava-se como certo que uma dificuldade semelhante àquela seria contornada. Mas houve o imprevisível, e 2014 viu os reservatórios baixarem a metade do que se observara em 53, apesar da boa norma da engenharia mandar que todo o sistema deve estar preparado para qualquer evento extremo.

     Busca-se, maneiras de frear o desperdício nas tubulações e perdas, como uma redução consciente no consumo, pois 20% da água é usada sem necessidade nas casas. Num período de dez anos, outra medida é substituir os 64 000 quilômetros de canos subterrâneos que abastecem a Grande São Paulo, com o objetivo de reduzir os 34% em vazamentos de canos e desvios clandestinos. 

Zona de Convergência
do Atlântico
     Em São Paulo, as chuvas são causadas por massas de ar úmido que esbarram na ilha de calor que se forma ao redor da cidade. A concentração de poluição e prédios esquentam o ar que sobe, onde ele se condensa em nuvens carregadas de chuva. No Cantareira, em situações normais, as chuvas que caem sobre a represa se originam na Amazônia, é a chamada Zona de Convergência do Atlântico, uma área cheia de nuvens que costuma se estender da Amazônia até o Sudeste. Porém, pelo segundo ano consecutivo, a Zona de Convergência do Atlântico, fora de posição, foi em direção a Bahia, em vez do Sudeste.


      O berço da crise, contudo está na combinação de dois fatores: a falta de gerência (descaso das autoridades) e a imprevisibilidade da natureza (pois faz dois anos que chove abaixo da média, fruto de uma anormalidade climática, que muitos cientistas atribuem ao aquecimento global).

     Apesar de não ter sido possível prevê-los com precisão, o calor e falta de água não são uma total surpresa. Segundo dados da Nasa, a agência espacial americana, nove dos dez anos mais quentes já registrados ocorreram de 2000 para cá, sendo que 2014 foi o recordista. "Sabe-se que o clima será cada vez mais extremo e imprevisível", analisa Helio Mattar, presidente do instituto Akatu, reputada ONG de sustentabilidade. "Governos devem agir com antecipação, e a população tem de se conscientizar."

Impactos de um aumento na temperatura global

     O planeta passa por um aquecimento global intenso, e a maior parte do descompasso do clima é o ser humano. Fábricas, carros e o desmatamento generalizado, multiplicou por 180 a quantidade de CO2 na atmosfera desde a Revolução Industrial. Isso causou um aumento de 0,8 graus na superfície terrestre. A Califórnia, por exemplo, estado mais populoso dos Estados Unidos, registrou secas recordes. Por outro lado, a Inglaterra e a Índia enfrentaram enchentes colossais.

      Climatologistas dizem não ter certeza se a falta de chuvas e as altas temperaturas no início de janeiro no Sudeste brasileiro são também filhos do aquecimento global, pois dependem de projeções de longo prazo para analisar. Ou seja, precisam esperar para verificar se a situação se repete por muitos anos ou se trata de uma anomalia, provocada por algum fenômeno climático pontual e ainda desconhecido.

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