Até a vacina contra o sarampo começar a ser usada, em 1963,
a doença era uma das principais causas de mortalidade infantil. Com o aperfeiçoamento
e a popularização das imunizações, ela foi controlada na maioria dos países.
Nos Estados Unidos, foi reedificada em 2000. Em dezembro do ano passado, porém,
ressurgiu com 94 casos na Disneylândia da Califórnia, e hoje 121 pessoas foram
identificadas com o vírus, em dezoito estados americanos.
A origem do surto está associada ao crescente espaço
conquistado por grupos adeptos do movimento antivacina. Dizer “não” é um direito individual. Contudo, quando afeta a
saúde pública, torna-se a quebra de um contrato social que salvou milhões de
vidas nas últimas décadas. É andar na contramão dos avanços da medicina.
As alegações são frágeis. A principal é o argumento de
alguns pais de que o sistema imunológico consegue naturalmente se livrar dos
agentes. Outros alegam que a vacina tríplice (contra caxumba, rubéola e
sarampo) aumenta o risco de autismo, tese de Andrew Wakefield (em 1998), que foi
acusado de fraudador, antiético e desonesto, perdeu o registro no Conselho
Geral de Medicina da Inglaterra.
Há hoje cerca de 80 000 casos de sarampo no mundo,
principalmente na Inglaterra, França e Itália, onde a onda antivacina é forte.
A oposição aos evidentes benefícios da vacina parece coisa
do início do século passado. Remete a Revolta da Vacina de 1904, contra a
decisão do sanitarista Oswaldo Cruz de tornar obrigatório o controle da
varíola, que previa inclusive a invasão de casas e a remoção das pessoas pelos agentes
de saúde. Acuado, o então presidente Rodrigues Alves revogou a lei da vacinação
obrigatória. Atualmente, a varíola é a única doença infectocontagiosa declarada
erradicada pela Organização Mundial da Saúde.
A imunização contra sarampo salva meio milhão de crianças a
cada ano. E somadas, as cerca de trinta vacinas atualmente em uso, livram da
morte cerca de 3 milhões de pessoas no mundo. A vacinação de uma criança não
protege apenas a vida dela, mas também a de todos ao seu redor.
Como todos os medicamentos, as vacinas oferecem reações adversas. A do sarampo, por exemplo, causa em até 3% dos pacientes, o chamado "sarampinho", uma forma atenuada da doença, sem nenhuma ameaça à saúde. Entre os sintomas, estão febre baixa e manchas na pele, sem comparações com o sarampo em si, doença devastadora que aniquila o sistema imunológico e pode levar a morte por pneumonia e encefalite.
No Brasil, mais de 90% das crianças estão vacinadas contra o
sarampo e a vacinação é feita com a
tríplice viral no primeiro ano de vida, com reforço aos 15. A vacinação não
apenas contra o sarampo, é obrigatória no Brasil.

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