“Minha mãe combateu o
câncer por quase uma década e morreu aos 59 anos. Conseguiu sobreviver por
tempo suficiente para conhecer seus primeiros netos e tê-los nos braços. Mas
meus outros filhos jamais terão a oportunidade de conhecê-la e de descobrir o
quanto ela era amorosa e carinhosa.
[...]
Eu quis escrever este
artigo para contar a outras mulheres que a decisão de fazer uma mastectomia não
foi fácil. Mas estou muito feliz por tê-la tomado. Minha probabilidade de
desenvolver câncer de mama caiu de 87% para menos de 5%. Agora posso dizer aos
meus filhos que eles não precisam ter medo de me perder para o câncer de mama.
[...] E eles sabem que
os amo e que farei qualquer coisa para ficar com eles pelo maior tempo
possível. Do ponto de vista pessoal, não me sinto menos mulher. Sinto ter
ganhado força por fazer uma escolha forte que de forma alguma diminui minha
feminilidade.
[...]
A vida vem com muitos
desafios. Aqueles que podemos encarar e sobre os quais podemos tomar o controle
não devem nos assustar.”
Parte do depoimento da atriz Angelina Jolie, publicado na semana
passada no The New York Times.
A operação de retirada de trompas e dos ovários é a
salpingo-ooforectomia, processo realizado por Angelina depois de uma dupla
mastectomia preventiva em maio de 2013. Esses dois procedimentos tem como
objetivo diminuir a probabilidade de câncer nos ovários e nas mamas,
respectivamente.
Uma mutação no gene BRCA1 trás para as mulheres o risco de
85% de desenvolvimento de tumores nas mamas, e aumenta em 60% o risco de desenvolver
câncer no ovário.
A cirurgia da dupla mastectomia preventiva é complexa, mas suas sequelas são menores.
Por outro lado, a extração de trompas e ovários é
relativamente simples. Feita por meio da laparoscopia, que realiza apenas três ou
quatro incisões de no máximo 1 cm no abdômen, o procedimento dura em torno de
meia hora e necessita de apenas um dia de internação.
Sem os ovários, entretanto, cessa a produção de estrógeno e
progesterona, hormônios femininos. Consequência disso são os sintomas precoces
da menopausa, que podem ser controlados com a reposição desses hormônios. Além
de significar um freio definitivo à gravidez.
Uma em cada setenta mulheres desenvolverá câncer de ovário,
entre essas, 10% a 15% são por falhas genéticas. A cirurgia
preventiva diminui em 98% as chances de desenvolver tumores nos ovários. Esse câncer
é mais difícil de ser detectado, por isso é o mais letal entre as mulheres.
Uma em cada dez mulheres desenvolverá o câncer de mama,
entre essas, 5% a 10% são por tumores hereditários. A cirurgia
preventiva reduz em 95% as chances de desenvolver tumores nas mamas (não
elimina totalmente porque em alguns casos as células cancerosas contaminam uma
membrana que reveste a parte interna da cavidade abdominal).
Com a divulgação de seu tratamento na mídia, a atriz despertou
nas mulheres o desejo de diagnosticar e prevenir esses cânceres. O número de
mulheres interessadas na mutação do gene BRCA dobrou, e a realização de testes
para identificar a mutação cresceu 40%, nos Estados Unidos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário